sábado, 16 de fevereiro de 2008

O QUE É UMA IGREJA CONGREGACIONAL


1 - Conceito

A Igreja Congregacional é aquela “comunidade local, formada de crentes unidos para a adoração e obediência a Deus, no testemunho público e privado do Evangelho, constitui-se em uma Igreja completa e autônoma, não sujeita em termos de Igreja a qualquer outra entidade senão à sua própria assembléia, e assim formada é representação e sinal visível e localizado da realidade espiritual da Igreja de Cristo em toda a terra.”

2 - Seu Sistema de Governo:

O sistema de governo congregacional é aquele em que a Igreja se reúne em assembléias, para tratar de questões surgidas no seu dia-a-dia e tomar decisões relacionadas ao desenvolvimento de seus trabalhos. O poder maior de mando de uma Igreja Congregacional reside em suas assembléias.

3 - Suas Assembléias de membros:

a) Assembléia Ordinária;
b) Assembléia Extraordinária;
c) Assembléia Especial.

a) Assembléia Ordinária - É aquela que é convocada regularmente para decidir sobre assuntos corriqueiros da Igreja.

b) Assembléia Extraordinária - É aquela que é convocada extraordinariamente para tratamento de assuntos urgentes, não previstos no seu dia-a-dia, e que requer da Igreja uma solução rápida.

c) Assembléia Especial - É aquela convocada para a eleição de oficiais, pastores e outros cargos eletivos da Igreja, bem como organização de Congregação e de transformação de Congregações em Igrejas.

4 - Seus Oficiais:

A Igreja Congregacional tem as seguintes categorias de Oficiais:

a) Pastor - b) Presbíteros - c) Diáconos

a) Pastor - é o Ministro do Evangelho eleito pela Igreja para pastorear o rebanho de Deus, tendo cuidado dele, como preceitua a Palavra de Deus (At 20.28; 1 Pe 5.1-4).

b) Presbítero - é aquele oficial que é eleito pela Igreja para auxiliar o Pastor no governo espiritual da Igreja local (Tt 1.5-9; 1 Tm 5.17).

c) Diácono - é aquele oficial que é eleito para cuidar das temporalidades da Igreja especialmente dos crentes necessitados (Beneficência) (At 6.1-6).

5 - Sua Estrutura Eclesiástica:

Para o funcionamento adequado da Igreja Congregacional, a seguinte estrutura eclesiástica é utilizada: Na parte superior da estrutura está a assembléia de membros, órgão máximo. Logo abaixo vem o Pastorado que, por delegação, recebe da assembléia poderes para gerir a Igreja como um todo, auxiliado na parte espiritual pelos Presbíteros e parte das temporalidades da Igreja pelos Diáconos. Depois do Pastor ou Pastores vem o corpo de Oficiais, composto de Presbíteros e Diáconos, cada um com atribuições específicas. Depois, seguem-se os Departamentos e Congregações da Igreja e Pontos de Pregação, quando houver.

6 - Sua Estrutura Administrativa:

Por estrutura administrativa, entenda-se o funcionamento da parte ligada a área patrimonial da Igreja (móveis, imóveis, pessoas sustentadas e/ou contratadas pela Igreja, etc). No topo da estrutura aparece a assembléia, órgão máximo do regime Congregacional. Logo abaixo segue-se o Pastorado que, por delegação, é o Presidente ex-ofício da Estrutura Administrativa. Logo após, encontramos a Diretoria do Patrimônio, seguida dos Departamentos e Congregações da Igreja.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti
O QUE CREMOS

(VINTE E OITO ARTIGOS DA BREVE EXPOSIÇÃO DAS DOUTRINAS FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO)

Art. 1º - Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus - Existe um só Deus(1), vivo e pessoal(2); suas obras no céu e na terra manifestam, não meramente que existe, mas que possui sabedoria, poder e bondade tão vastos que os homens não podem compreender(3); conforme sua soberana e livre vontade, governa todas as coisas(4). (1) Dt.6:4; (2) Jr 10:10; (3) Sl 8:1; (4) Rm 9:15,16.

Art. 2º - Do Testemunho da Revelação a Respeito de Deus e do Homem - Ao testemunho das suas Obras Deus acrescentou informações(5) a respeito de si mesmo(6) e do que requer dos homens(7). Estas informações se acham nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento(*) nas quais possuimos a única regra perfeita para nossa crença sobre o Criador, e preceitos infalíveis para todo o nosso proceder nesta vida(8).(5) Hb 1:1; (6) Ex 34-5-7; (7); II Tm.3.15,16; (8); Is.8.19,20. (*) Os livros apócrifos não são parte da Escritura devidamente inspirada.

Art. 3º - Da Natureza dessa Revelação - As Escrituras Sagradas foram escritas por homens santos, inspirados por Deus, de maneira que as palavras que escreveram são as palavras de Deus(9). Seu valor é incalculável(10), e devem ser lidas por todos os homens(1). (9) II Pe 1:19-21; (10) Rm 3:1,2. (1) Jo 5:39.

Art. 4º - Da Natureza de Deus - Deus o Soberano Proprietário do Universo é Espírito(2), Eterno(3), Infinito(4) e Imutável(5) em sabedoria(6), poder(7), santidade(8), justiça(9), bondade(10) e verdade(1). (2) Jo 4:24; (3) Dt 32:40; (4) Jr 23:24; (5) Ml 3; (6) Sl 146:5; (7) Gn 17:1; (8) Sl 144:17; (9) Dt 32: 4; (10) Mt 19:17; (1) Jo 7:28.

Art. 5º - Da Trindade da Unidade - Embora seja um grande mistério que existam diversas pessoas em um só Ente, é verdade que na Divindade exista há uma distinção de pessoas indicadas nas Escrituras Sagradas pelos nomes de Pai, Filho e Espírito Santo(2) e pelo uso dos pronomes Eu, Tu e Ele, empregados por Elas, mutuamente entre si(3). (2) Mt 28:19: (3) Jo 14:16,17

Art. 6º - Da Criação do Homem - Deus, tendo preparado este mundo para a habitação do gênero humano, criou o homem(4), constituindo-o de uma alma que é espírito(5), e de um corpo composto de matérias terrestres(6). O primeiro homem foi feito à semelhança de Deus(7), puro, inteligente e nobre, com memória, afeições e vontade livre, sujeito Àquele que o criou, mas com domínio sobre todas as outras criaturas deste mundo(8). (4) Gn 1:2-27; (5) Ec 12:7; (6) Gn 2:7; (7) Gn 1:26,27; (8) Gn 1:28

Art. 7º - Da Queda do Homem - O homem assim dotado e amado pelo Criador era perfeitamente feliz(9), mas tentado por um espírito rebelde ( chamado por Deus, Satanás ) , desobedeceu ao seu Criador(10); destruiu a harmonia em que estivera com Deus, perdeu a semelhança divina; tornou-se corrupto e miserável, deste modo vieram sobre ela a ruína e a morte(1). (9) Gn 1:31; (10) Gn 2: 16,17; (1) Rm 5:12.

Art. 8º - Da Conseqüência da Queda - Estas não se limitam ao primeiro pecador. Seus descendentes herdaram dele a pobreza, a desgraça a inclinação para o mal e a incapacidade de cumprir bem o que Deus manda(2); por conseqüência todos pecam , todos merecem ser condenados, e de fato todos morrem(3).(2) Sl 50:7; (3) I Co 15:21

Art. 9º - Da Imortalidade da Alma - A alma humana não acaba quando o corpo morre. Destinada por seu Criador a uma existência perpetua, continua capaz de pensar, desejar, lembrar-se do passado e gozar da mais perfeita paz e regozijo; e também de temer o futuro, sentir remorso e horror e sofrer agonias tais, que mais quereria acabar do que continuar a existir(4); o pecado da rebelião contra o seu Criador, merece para sempre esta miséria, que é chamada por Deus segunda morte(5). (4) Lc 16:20-31; (5) Ap 21:8

Art. 10º - Da Consciência e do Juízo Final - Deus constituiu a consciência juiz da alma do homem(6). Deu-lhes mandamentos pelos quais se decidissem todos os casos(7), mas reservou para si o julgamento final, que será em harmonia com seu próprio caráter(8). Avisou aos homens da pena com que com punirá toda injustiça, maldade, falsidade e desobediência ao seu governo(9); cumprirá suas ameaças, punindo todo pecado em exata proporção a culpa(10).(6) Rm 2:14,15; (7) Mt. 22:36-40; (8) Sl 49:6; (9) Gl 3:10; (10) II Co 5:10

Art. 11º - Da Perversidade do Homem e do Amor de Deus - Deus vendo a perversidade, a ingratidão e o desprezo com que os homens lhe retribuem seus benefícios e o castigo que merecem(1), cheio de misericórdia compadeceu-se deles; jurou que não desejava a morte dos ímpios(2); além disso, tomou-os e mandou declarar-lhes, em palavras humanas, sua imensa bondade para com eles; e quando os pecadores nem com tais palavras se importavam, ele lhes deu a maior prova do seu amor(3) enviando-lhes um salvador que os livrasse completamente da ruína e miséria, da corrupção e condenação e os reestabelecesse para sempre no seu favor(4).(1) Hb 4:13; (2) Ez 33:11; (3) Rm 5:8,9; (4) II Co 5: 18-20.

Art. 12º - Da Origem da Salvação - Esta Salvação, tão precioso e digna do Altíssimo (porque está perfeitamente em harmonia com seu caráter) procede do infinito amor do Pai, que deu seu unigênito Filho para salvar os seus inimigos(5). (5) I Jo 4:9

Art. 13º - Do Autor da Salvação - Foi adquirida, porem, pelo Filho, não com ouro, nem com prata, mas com Seu sangue(6), pois tomou para Si um corpo humano e alma humana(7) preparados pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem(8); assim, sendo Deus e continuando a sê-Lo se fez homem(9). Nasceu da Virgem Maria, viveu entre os homens(10), como se conta nos evangelhos, cumpriu todos os preceitos divinos(1) e sofreu a morte e a maldição como como o substituto dos pecadores(2), ressuscitou(3) e subiu ao céu(4). Ali intercede pelos seus remidos(5) e para valer-lhes tem todo o poder no céu e na terra(6). É nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo(7), que oferece, de graça, a todo o pecador o pleno proveito de sua obediência e sofrimentos, e o assegura a todos os que, crendo nEle, aceitam-no por Seu Salvador(8).(6) I Pe1:18,19; (7) Hb 2:14; (8) Mt 1:20; (9) Jo 1:1,14; (10) At 10:38; (1) I Pe 2:22; (2) Gl 3:13; (3) Mt 28:5,6; (4) Mc 16:19; (5) Hb 7:25; (6) Mt 28:18; (7) At 5:31; (8) Jo 1:14.

Art. 14º - Da Obra do Espírito Santo no Pecador - O Espírito Santo enviado pelo Pai(9) e pelo Filho(10), usando das palavras de Deus(1), convence o pecador dos seus pecados e da ruína(2) e mostra-lhe e excelência do Salvador(3), move-o a arrepender-se, a aceitar e a confiar em Jesus Cristo. Assim produz uma grande mudança espiritual chamada nascer de Deus(4). O pecador nascido de deus está desde já perdoado, justificado e salvo; tem a vida eterna e goza das bênçãos da Salvação(5).(9) Jo 14:16,26; (10) Jo 16:7; (1) Ef 6:17; (2) Jo 16:8; (3) Jo 16:14; (4) Jo1:12,13; (5) Gl 3:26

Art. 15º - Do Impenitente - Os pecadores que não crerem no Salvador e não aceitarem a Salvação que lhes está oferecida de graça, hão de levar a punição de suas ofensas(6), pelo modo e no lugar destinados para os inimigos de Deus(7). (6) Jo 3:36; (7) II Ts 1: 8,9

Art. 16º - Da Única Esperança de Salvação - Para os que morrem sem aproveitar-se desta salvação, não existe por vir além da morte um raio de esperança(8). Deus não deparou remédio para os que, até o fim da vida neste mundo perseveraram nos seus pecados. Perdem-se. Jamais terão alívio(9). (8) Jo 8:24; (9) Mc 9:42,43

Art. 17º - Da Obra do Espírito Santo no Crente - O Espírito santo continua a habitar e a operar naquele que faz nascer de Deus(10); esclarece-lhe a mente mais e mais com as verdades divinas(1), eleva e purifica-lhe as afeições adiantando nele a semelhança de Jesus(2), estes fruto do espírito são prova de que passaram da morte para a vida, e que são de Cristo(3).(10) Jo 14:16,17; (1) Jo 16:13; (2) II Co 3:18; (3) Gl 5:22,23

Art. 18º - Da União do Crente com Cristo e do Poder para o Seu Serviço - Aqueles que tem o Espírito de Cristo estão unidos com Cristo(4), e como membro do seu corpo recebem a capacidade de servi-Lo(5). Usando desta capacidade, procuram viver, e realmente vivem, para a glória de Deus, seu Salvador(6).(4) Ef 5:29,30 ( 5) Jo 15:4,7 (6) I Co 6:20

Art. 19º - Da União do Corpo de Cristo - A Igreja de Cristo no céu e na terra é uma(7) só e compoem-se de todos os sinceros crentes no Redentor(8), os quais foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo(9), para serem chamados e convertidos nesta vida e glorificados durante a eternidade(10). (7) Ef 3:15; (8) I Co 12:13; (9) Ef 1:11; (10) Rm 8: 29,30.

Art. 20º - Dos Deveres do Crente - É obrigação dos membros de uma Igreja local, reunirem-se(1) para fazer oração e dar louvores a Deus, estudarem sua Palavra, celebrarem os ritos ordenados por Ele, valerem um dos outros e promoverem o bem de todos os irmãos; receberem(2) entre si como membros aqueles que o pedem e que parecem verdadeiramente filhos de Deus pela fé; excluírem(3) aqueles que depois mostram a sua desobediência aos preceitos do Salvador que não são de Cristo; e procuram o auxílio e proteção do espírito Santo em todos os seus passos(4).(1)Hb 10:25; (2) Rm 14:1; (3) I Co 5:3-5; (4) Rm 8:5,16.

Art. 21º - Da Obediência dos Crentes - Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei senão pelos merecimentos de Jesus Cristo(5), recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos(6) e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se si acharem salvos de graça(7).(5) Ef 2:8,9; (6) I Jo 5:2,3; (7) Tt 3:4-8.

Art. 22º - Do Sacerdócio dos Crentes e dos Dons do Espírito - Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo(8), que é o Mestre(9), Pontífice(10) e Único Cabeça de sua Igreja(1); mas como Governador de sua casa(2) estabeleceu nela diversos cargos(3) como de Pastor(4), Presbítero(5), Diácono(6), e Evangelista; para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que ele quer para cumprirem os deveres desses ofícios(7), e quando existem devem ser reconhecidos pela igreja e preparados e dados por Deus(8). (8) I Pe 2:5-9; (9) Mt 23:8-10; (10) Hb 3:1; (1) Ef. 1:22; (2) Hb 3:6; (3) I Co 12:28; (4) Ef 4:2; (5) I Tm 3:1-7; (6) I Tm 3: 8-13; (7) I Pe 5:1; (8) Fl 2:29.

Art. 23º - Da Relação de Deus para com Seu Povo - O Altíssimo Deus atende as orações(9) que, com fé, e, em nome de Jesus, único Mediador(10) entre Deus e os homens, lhe serão apresentadas pelos crentes, aceita os louvores(1) e reconhece como feito a Ele, todo o bem feito aos Seus(2). (9) Mt 18:19; (10) I Tm 2:5; (1) Cl 3:16,17; (2) Mt 25:40,45; (3) Hb 10:1; (4) At 10:47,48; (5) Mt 26:26-28.

Art. 24º - Da Cerimônia e dos Ritos Cristãos - Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo Ministério de Moisés , eram sombras dos bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram(3): os ritos cristãos são somente dois: o batismo com água(4) e a Ceia do Senhor(5).

Art. 25º - Do Batismo com Água - O batismo com água foi ordenado por Nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador , quando envia o espírito santo para regenerar o pecador(6). Pela recepção do batismo com água, a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura as bênçãos da salvação(7). (6) Mt. 3:11; (7) At 2:41

Art. 26º - Da Ceia do Senhor - Na Ceia do Senhor foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo, o pão e o vinho representam vivamente ao coração do crente o corpo que foi morto e o sangue derramado no Calvário(8); participar do pão e do vinho representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador. O crente faz isso em memória do Senhor, mas é da sua obrigação examinar-se primeiro fielmente quanto a sua fé, seu amor e o seu procedimento(9). (8) I Co 10:16; (9) I Co 11:28,29.

Art. 27º - Da Segunda Vinda do Senhor - Nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu como homem(10), em Sua própria glória(1) e na glória de Seu Pai(2), com todos os santos e anjos; assentar-se-á no trono de Sua glória e julgará todas as nações. (10) At 1:11; (1) Mt 25:31; (2) Mt 16:27

Art. 28º - Da Ressurreição para a Vida ou para a Condenação - Vem a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e ressuscitarão(3); os mortos em Cristo ressurgirão primeiro(4); os crentes que neste tempo estiverem vivos serão mudados(5), e sendo arrebatados estarão para sempre com o Senhor(6), os outros também ressuscitarão, mas para a condenação(7). (3) Jo 5:25-29; (4) I Co 15:22,23;(5) I Co 15:51,52; (6) I Tes 4:16; (7) Jo 5:29.

Os Vinte e oito artigos da " BREVE EXPOSIÇÃO DAS DOUTRINAS FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO " foram lavrados pelo Dr. Robert Reid Kalley e aprovados em 02 de julho de 1876 e este documento de memorável valor histórico, consagrou-se como síntese doutrinária das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.
A aceitação destas " Doutrinas Fundamentais " serviu de base para rejeição de várias doutrinas anti-bíblicas e encorajou os Congregacionais ao crescimento e a implantação sólida e definitiva desta Grande Denominação.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

A IGREJA E SEUS OFICIAIS


Etimologia e Conceito de Igreja

A palavra Igreja(eclesia) é de origem grega (εkkλησια) e significa tirados para fora. Eclesia significa também assembléia. Pode-se entender Igreja como o conjunto de salvos pelo poder redentor de Cristo Jesus, organizados m comunidades locais para adoração a Deus, edificação dos seus membros, proclamação do Evangelho e cuidado dos santos necessitados.

A Amplitude da Igreja

A Igreja em sua amplitude divide-se em Igreja Universal (Mt 16.18; Hb 12.22-24; Jo 17.20, 21; 1 Co 12.13; ...) e Igreja local (Mt 18.17; At 13.1; 1 Co 1.2; Ap 1.11...)
A Igreja na sua expressão Universal compõe-se de todos os salvos em todas as épocas, inclusive aqueles que hão de ser alcançados com a salvação eterna no futuro. Essa expressão da Igreja já está completa segundo o plano eterno de Deus. A Igreja na sua expressão Local compõe-se dos salvos, organizados em comunidades locais, em determinadas áreas, segundo padrão neotestamentário, com seus líderes constituídos por Deus.

O Ministério da Igreja

Segundo as Sagradas Escrituras, a Igreja foi constituída por Deus, para a realização de alguns propósitos específicos, a saber:

a) Adoração – Adorar a Deus em espírito e em verdade é uma das finalidades da existência da Igreja. Sl 96.7-9; Mt 4.10; Jo. 4.23,24; Hb 13.15;...
b) Edificação – Os salvos em Cristo, nascidos de novo, são edificados espiritualmente pela Palavra de Deus proclamada nas reuniões da Igreja. Para promover essa edificação, Deus deu a Igreja ministérios específicos. Ef 2.20-22; 2 Pe 3.18; Ef 4.11-16; Rm 12-6-8; 1 Pe 4.10, 11; ...
c) Proclamação ­ - A Igreja tem a incumbência de proclamar a mensagem do Evangelho para testemunho a todas as pessoas, no mundo inteiro. 1 Pe 2.9; Mc 16.15, 16; Lc 24.47; Mt 28.18-20; ...
d) Beneficência – A existência do pobre no mundo é uma oportunidade que Deus dá a a quem dele recebeu bens para exercer o ministério da misericórdia, especialmente aos santos necessitados. Cuidar dos pobres é uma das atribuições da Igreja. Mc 14.7; Gl 6.10; Hb 13.16; 2 Co 9.12; 2 Co 9.1; At 6.1-3;...

As Ordenanças da Igreja

a) Batismo Cerimonial; b) Ceia Memorial
O Senhor Jesus ordenou que os que cressem no seu nome fossem batizados com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e essa tarefa compete a Igreja realizar, através de seus ministros devidamente ordenados (Mt 28.19; Mc 16.15; At 2.38, 41; 8.12;...). Deixou ainda o Senhor Jesus a ordenança da celebração da Ceia Memorial, onde o pão e o vinho têm a sua representatividade, respectivamente, o corpo e o sangue de Cristo. A Ceia é um memorial da morte redentora do Senhor Jesus Cristo (Mt 26.26-28; Mc 14.22-24; Lc 22.19, 20; 1 Co 11.23-32).

Os Oficiais da Igreja

Para oficiar na Igreja Local, especificamente, foram instituídos por Deus os ofícios de Pastor, Presbítero e Diácono, cada um com suas atribuições específicas. Ao Pastor compete Pastorear o rebanho de Deus, a Igreja. Ao Presbítero cabe o auxílio ao Pastor no pastoreio dos membros da Igreja e ao Diácono cabe cuidar das temporalidades da Igreja, especialmente, da beneficência.

A Instituição do Pastor como ministro do Evangelho com o objetivo de pastorear a Igreja do Senhor encontra-se nos textos de Jeremias 3.15; Efésios 4.11; Atos 20.28; 1 Timóteo 3.1; 1 Pedro 5.1-4; Apocalipse 1.20; ... Os textos referentes à instituição do Presbítero na Igreja são encontrados em Atos 14.23 e Tito 1.5. Outros textos são usados, intercambiavelmente para nomear Presbíteros, Anciãos, Bispos, Pastor: Atos 10.2, 4, 6, 23, 28; 1 Timóteo 3.1-7; 5.17, 18; Tito 1.5-9; 1 Pedro 5.1-4;... Quanto aos Diáconos encontramos a sua instituição em Atos 6.1-6. No texto de Filipenses 1.1, eles são identificados como liderança na Igreja e em 1 Timóteo 3.8-13 encontramos o seu perfil delineado.

Dada a importância desses ofícios dentro da Igreja Local, as qualificações desses líderes são especificadas nas Sagradas Escrituras, além do perfil de um crente comum. As qualificações de Pastor e Presbítero são uma só, pois ambos os ofícios foram constituídos para pastorear a Igreja, e encontram-se nas cartas de 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9 e o perfil do Diácono é encontrado em 1 Timóteo 3.8-13, conforme dito no parágrafo anterior.

Entre os Presbíteros, as Escrituras identificam aqueles que são responsáveis pelo ensino da doutrina através da Palavra de Deus (Presbíteros Docentes - Pastores) e os outros são designados Presbíteros Regentes, ambos ligados ao governo da Igreja (1 Timóteo 5.17). Deve-se observar que, tratando-se de governo de Igreja, cabe a ela através de suas assembléias governar-se a si mesma, sendo os Presbíteros (Docentes e Regentes) os oficiais que recebem delegação para cuidar do seu governo, sendo as suas decisões homologadas por ela através de assembléias regularmente convocadas. (Mt 18.17; At 1.15, 23; 6.2-5; 14.22, 23; 15.23; 2 Co 8.18,19).

Uma vez que a Igreja escolheu dentre os seus Presbíteros, um para dirigi-la que é o seu Pastor, esse ofício é identificado nas Escrituras como representante da Igreja diante de Deus. Nas sete cartas do livro de Apocalipse (capítulos 2 e 3), cada Igreja tem o seu anjo (Pastor), que é o responsável, juntamente com os outros oficiais Presbíteros pelo seu governo. Esses anjos da Igreja são elogiados ou repreendidos por Deus de acordo com o estado espiritual daquelas comunidades evangélicas.

É verdade que existem muitas tensões no cotidiano do ministério da Igreja entre esses oficiais. Encontramos Pastores ditadores que querem governar sozinhos bem como Presbíteros e até diáconos que querem sufocar e controlar o ministério pastoral. Evidentemente que isso é um erro crasso, pois ao instituir esses ministérios na Igreja, Deus os definiu, estabeleceu os seus espaços e as suas responsabilidades e os abençoou, visando a um trabalho harmonioso para a edificação da Igreja e o atendimento de suas necessidades espirituais e materiais. No livro de Atos encontramos isso bem delineado: os apóstolos cuidavam da parte espiritual e os diáconos da parte das temporalidades (beneficência) da Igreja.

É importante observar também a questão da decisão da Igreja quando escolheu o seu Pastor para liderá-la, dando-lhe poderes estatutários para geri-la e representá-la perante a Denominação a que pertence, perante as outras Igrejas e perante as Instituições civis do nosso País. Ainda convém lembrar que esses ministérios recebem ordenações específicas por uma Denominação (Pastores) ou pela Igreja local (Presbíteros e Diáconos).

Tratando-se de Pastores e Presbíteros de uma Igreja Congregacional filiada a Aliança das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil, ambos fazem parte de um quadro específico de obreiros (o Pastor faz parte do quadro de Ministros do Evangelho e o Presbítero faz parte de um quadro de Presbíteros), atribuindo-se a eles direitos e deveres, sendo os dois ofícios jurisdicionados pela nossa Denominação.

Todos esses ofícios devem ser considerados como da vontade de Deus para uma Igreja Local, devem ser respeitados por todos os membros e ajudados em oração para que os seus ocupantes desempenhem bem as atribuições especificadas nas Sagradas Escrituras.


Pastor Eudes Lopes Cavalcanti
Ministro Congregacional
Julho de 2005